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OS SENTIMENTOS, NOSSOS COMPANHEIROS E ALIADOS

Os sentimentos, nossos companheiros e aliados!
 
Eu nunca encontrei alguém que dissesse que gostaria de não ter, por exemplo, as mãos, os pés, ou qualquer outra parte do corpo (encontrei quem gostaria que fosse diferente do que é). Mas já encontrei muitas pessoas que dizem que não gostariam de experimentar certos sentimentos como raiva, ciúme, medo, ansiedade, inveja, etc. Como se sentir isto fosse algo tremendamente problemático, feio ou sei lá o que!
Todos nós sabemos e experimentamos a finalidade e a razão de ser dos membros do nosso corpo, mesmo que nem sempre tenhamos consciência de sua presença. Aliás, só nos damos conta da sua importância quando um deles não está cumprindo plenamente a sua função. Achamos perfeitamente normal que tenhamos todos os membros necessários ao nosso corpo. Mas, ironicamente, não queremos aceitar que também o nosso psiquismo tem os seus “membros” e deles precisa para “funcionar” perfeitamente.
Ao contrário do que do que se pensa, os sentimentos não são algo que está em nós para nos causar preocupação ou para nos atrapalhar, como pode parecer à primeira vista. Eles desempenham uma função importantíssima no nosso psiquismo. São eles que nos dizem de como estamos interiormente. Sem eles não nos relacionaríamos e nem faríamos este movimento contínuo da vida. Sem os sentimentos nós não teríamos como nos proteger, nos precaver, nos preparar para algumas situações ameaçadoras ou de risco, por exemplo. Tomemos, concretamente, um deles. O medo. É crença popular que, o medo é algo permitido apenas às mulheres, às crianças, aos mais fracos e desamparados. Os fortes (leia-se os homens) não sentem medo. Ora, quem não tem medo está constantemente correndo riscos e colocando a sua e a vida dos outros em perigo. Não é verdade que não sentir medo é uma virtude! Virtuoso é aquele que tem medo, pois é a partir do medo que ele se prepara para enfrentar os perigos que vão surgindo.
O medo é uma sensação interna que cada um de nós experimenta quando está diante de uma situação de risco. Por isso que o nosso corpo reage, nestas circunstâncias, com algum tipo de manifestação como suor, palpitação, tremor, etc. E esta sensação interna, seguida dos sinais exteriores que se manifestam em nosso físico tem a finalidade precisa de nos avisar de que estamos em perigo, correndo riscos e que, para tanto, devemos nos preparar, nos defender. Só isso! Esta é a finalidade do medo. Bem precisa. Ele nos avisa de que algo está para acontecer e que nós devemos tomar as providências necessárias. Assim, quem diz que não tem medo está negando este aviso interno, o que é muito perigoso! Por isso que virtuoso é aquele que se permite sentir medo e se põe a avaliar a situação de risco que se lhe apresenta. De sorte que nós deveríamos ensinar nossos filhos, nossos alunos, nossas crianças, enfim, a quebrar esta falsa crença de que é proibido ter medo. Deveríamos ensinar a eles que o medo é uma defesa natural que está em nós para nos proteger, colocada por Deus, da mesma forma como foi colocada a nossa mão, o nosso pé e todos os outros membros do nosso corpo.
A teimosa insistência em não querer sentir é o mesmo que negar uma das funções mais importantes do nosso psiquismo. Porque é o sentir que faz a diferença entre nós e as coisas. Assim, são os sentimentos que nos põem em estado de alerta e prontidão para enfrentar a vida. Aliás, eles são a essência da própria vida. No fundo, o sentimento diz de nós mesmos, da nossa percepção pessoal da realidade que nos cerca. Por isso, se compreendo meus sentimentos, compreendo a minha reação ao mundo que me rodeia.
Sabiamente o afirmou David Viscott: “...aquilo que sentimos a respeito de qualquer coisa reflete nossa história pessoal. E é possível dizer que, cada um de nós é, de alguma forma, os sentimentos que tem”.
 
Pe. Adalto Luiz Chitolina, scj
Jornalista. Licenciado em psicologia.
adaltoiates@uol.com.br
 
 
 
 
 
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