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A NECESSIDADE DO IMEDIATO

A necessidade do imediato.
 
Um assunto que muito tem me inquietado, ultimamente, é a necessidade do imediatismo que vai tomando conta tudo e de todos. É como se para ser alguém e para encontrar algum significado na vida fosse necessário e suficiente apenas obter de imediato tudo o que se quer, exatamente como fazem as crianças, em função dos processos primários de gratificação de suas necessidades. Como se nós, adultos, ainda fôssemos movidos pelos processos primários e não pelos secundários, como seria de se supor.*
Você já reparou a dificuldade que nós temos de esperar um pouco pelas coisas? Observe como ficamos impacientes quando estamos numa fila, em um lugar qualquer. Já não temos mais paciência para esperar nada.
Nestes dias, num supermercado, ouvi de uma senhora já idosa, esta exclamação diante do imediatismo da filha: “esta minha filha é muito estressada. E eu lá estou preocupada? Tenho 83 anos, mas se não houver fila especial para idosos posso esperar um pouco, qual é o problema? Não precisa brigar por isso!” Não que eu não considere válida a iniciativa de se proceder com atitudes respeitosas para com estas pessoas, mas o espírito daquela senhora me chamou muito a atenção! É assim que nós vivemos. Tudo logo, tudo agora, tudo “para ontem”, como já se diz!
E eu me pergunto: mas porque assim? O que queremos? Como é que não conseguimos esperar mais nada?
A impressão que tenho é de que assim, não saboreamos nada do que nos acontece. Tudo é fugaz, tudo logo passa. E lá vamos nós atrás de outro imediato... Nunca estamos satisfeitos! E do que se sabe, assim, não se cresce. Quanto mais se corre, menos tempo sobra para que os fatos tomem significado dentro de nós. É como fazer uma boa refeição de forma apressada. Enchemos o estômago, mas não saboreamos o que foi ingerido. Perdemos a ocasião de desfrutar de um grande prazer... Perdemos a oportunidade de crescer!
            Quando tudo é imediato e só imediato, o risco é de que não se consolidem valores, hábitos dentro de nós. Sabedoria é aprender a ficar consigo mesmo em determinadas circunstâncias. É não correr necessariamente atrás de outras coisas, sem objetivo. É ter tempo para parar consigo mesmo, com os fatos, com as situações, com os acontecimentos...
Nós só conseguimos interiorizar as coisas que perduram por algum tempo em nossa vida. É por isso que amamos mais os nossos familiares e os nossos amigos do que as pessoas que encontramos na rua, por exemplo, pois é com elas que nós estamos mais tempo. E quando ficamos mais tempo com uma pessoa, mais nós a conhecemos. Assim acontece em relação às coisas e em relação às situações da vida. Quando nos detemos nelas, quando as aceitamos sem buscar fugir, concretamente acontece dentro de nós um grande crescimento, pois é próprio das pessoas maduras parar, pensar, refletir e depois decidir e agir.
Tomemos cuidado! Pois tanto imediatismo pode ser uma forma de fugirmos das nossas verdades internas!
Pe. Adalto Luiz Chitolina, scj
 
* Processo primário: tudo deve ser gratificado e satisfeito imediatamente. Por exemplo, uma criança quando tem fome, sede, dor, frio, etc., se põe a chorar intensamente até que alguém atenda à sua necessidade.
Processo secundário é a capacidade (própria dos adultos) de adiar esta gratificação até o momento oportuno.
 
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