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TOLERAR PARA CONVIVER

TOLERAR PARA CONVIVER
 
Pela nossa experiência todos sabemos que a convivência com outras pessoas é sempre uma arte. Há sempre que declinar de alguns desejos, ceder a algumas opiniões, insistir em outras e assim por diante. De sorte que, estar num grupo, família, sociedade, sempre exige da parte de todos um forte exercício de sua capacidade de tolerar situações, fatos ou momentos que não lhe sejam favoráveis.
Se buscarmos o significado da palavra “tolerância” teremos de nos remeter ao velho latim. E lá encontraremos que tolerare (sustentar, suportar) é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, civil ou física. Este é o significado técnico do termo. Deixo de lado a etimologia e a discussão filosófica e me permito enveredar mais pelo lado da convivência.
            Cada um de nós tem os seus príncípios, seus valores próprios. Adquiridos ao longo da existência, eles vão fazendo parte da nossa bagagem cultural, religiosa, etc. Eles são fruto de conquista, de aprendizagem, de vivência. E é assim para todos. Quando estes princípios ou valores são colocados em questionamento por parte de alguém, certamente nós tendemos a uma reação de defesa. E quanto mais enraizados em nós estiverem estes valores e princípios, com maior veemência os defenderemos. Afinal, é por eles que nós nos guiamos na vida! Foi assim que aprendemos. E é saudável que seja assim. Problemático é quando alguém não tem seus princípios e valores e se deixa levar sempre pelo sabor do momento e pelas opiniões dos outros. Faltam-lhe convicções, dizemos nós!
            Aqui, parece-me, localiza-se o foco dos possíveis futuros conflitos. Nem todos trazemos os mesmos valores e princípios. Cada um tem a sua história pessoal e com ela, aquilo que aprendeu desde o berço. Começam então, as diferenças e a necessidade de tolerância.
            Tolerar, neste caso, não significa abrir mão do que eu penso nem das minhas convicções. Antes, é a capacidade de olhar para o que é meu, reconhecer como um valor e como princípio que me norteia, sem com isso deixar de respeitar o que é diverso, o que é diferente, o que é do outro. Tolerar, é a capacidade de conversar sobre o que divergimos, sem nos agredirmos por sermos diferentes. É a arte, se quisermos, de cada um continuar pensando e vivendo de acordo com os seus valores, considerando que o outro também tem os dele, ainda que diferentes dos meus. Difícil se torna quando, porque eu acredito ferrenhamente em algo, começo a querer impor aos outros o que é meu. É o desrespeito. É a intolerância.
            Sou intolerante quando, em casa, quero sempre que as coisas sejam do meu jeito, porque eu aprendi assim, porque minha mãe fazia assim... Sou intolerante sempre que eu quero que todos rezem do mesmo jeito que eu rezo... Sou intolerante quando julgo que o único certo neste mundo sou eu e os demais estão todos equivocados...
            Tolerar é acolher a grandeza do outro que se manifesta, na maioria das vezes, na diferença entre nós dois... Tolerar é dizer ao outro que, mesmo diferente, ele tem valores e por isso merece ser respeitado e, acima de tudo, amado!
            Isso, em se tratando de tolerância na convivência. Mas há também um outro aspecto tão ou mais importante, que é a questão da tolerância interna, isto é, a capacidade de suportar e enfrentar os desafios e frustrações que a vida vai aprensentando a cada um. No contexto atual, talvez isso seja cada vez mais complicado e difícil. Mas este é um assunto para outra ocasião.
 
Pe. Adalto Luiz Chitolina, scj
Jornalista, com formação em Psicologia
adaltoiates@uol.com.br
 
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