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ELA MUDOU DE RELIGIAO!

 

 

 

É comum recebemos depoimentos de pessoas que reclamam de membros da família que "mudaram de religião" – entre aspas porque nem sempre tiveram mesmo religião, então, como "mudaram?!". Esses se transforman num verdadeiro tormento para toda família. Eles agora descobriram a "verdadeira fé" e não cansam de "infernizar" a vida dos demais com o seu falatório e suas pregações. Muitas vezes são os filhos que "mudam" e vão à casa da mãe e do pai e destroem imagens e outros símbolos de devoção que eles nutriram por muito tempo, e em geral, o fazem de modo agressivo. Um triste desrespeito. Outras vezes foi a esposa ou o esposo que "mudou", comprometendo profundamente a relação do casal e a estabilidade da família. São momentos difíceis por que passam muitas famílias por causa desses episódios de fundo religioso.

O verdadeiro encontro com uma religião que nos é querida, é imediatamente acompanhado por um estado de paz interior e de um profundo respeito pelos que nutrem uma fé diferente. A arrogância dos que "mudam" só mostram uma coisa: não encontraram uma religião de fato, e não tem paz interior ainda, provavelmente estão nas mãos de algum charlatão da fé, o que não é muito difícil nos dias de hoje.

É importante que essas pessoas saibam que o Brasil é um Estado laico, portanto cada cidadão pode professar a fé que desejar. Isso é um direito que lhe assiste. Portanto, ninguém pode "impor" aos outros a sua última "grande descoberta" em termos de fé. Pelo contrário, deve respeitar o outro na sua crença.

Por que isso acontece? O Povo Brasileiro tem um sentimento religioso profundamente arraigado. Assim, muitos líderes religiosos exploram a eterna necessidade que as pessoas têm do sobrenatural. As incertezas existenciais nos deixam inseguros diante do mistério que envolve a vida e a morte. Sabemos que das realidades humanas, enfrentar a finitude é o que gera mais ansiedade nas pessoas. Cedo ou tarde vamos encarar muito de frente o fato de que iremos morrer. Foi assim com nossos antepassados, com nossos conhecidos que já se foram e será conosco também.

Para muita gente é assustadora a certeza de que realmente serão esquecidos. É nesse momento que muitas "religiões" de última hora encontram as pessoas. É verdade que é na intenção de suavizar essa passagem e a ansiedade que ela provoca em nós que se alicerçam todas as religiões. Porém, verdadeiros agiotas da fé descobriram que a manipulação dessa dimensão presente em cada ser humano pode gerar muito lucro. É por isso que vemos crescer todo tipo de "religiões". O povo, inconsciente e desejoso de uma resposta ao seu drama humano, torna-se presa fácil. A promessa de bens terrenos e celestes, além de outras tantas, é o principal engodo ao qual são submetidos.

O que fazer? Se você enfrenta um problema assim em sua família, algumas dicas podem ajudar: não entre em discussão a esse respeito, essa gente normalmente está alucinada com a descoberta, você não vai conseguir convencê-los de nada. Eles só irão aprender com a própria experiência. Entretanto, se você é que "manda" na sua casa, proíba que se fale dessas coisas em seu lar. Você não tem obrigação de ficar ouvindo, na sua casa, coisas que vão contra os seus princípios religiosos. Seja firme! É um direito que você tem de ser respeitada. De resto, reze por eles. Se o que eles encontraram for do mal, logo seus frutos aparecerão e se for do bem, que sejam felizes e encontrem a paz interior. E que Deus nos abençoe a todos.

 

 

 

 

 

ELA "MUDOU" DE RELIGIÃO!

 

Pe. Vicente de Melo – Psicólogo, CRP 08/07841 – Especialista em Psicologia Clinica e Aconselhamento.

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