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Nota de pesar: morre o professor Cleverson Bastos

12.Junho.2020
 

Um dia era com o véu da irmã, em sala de aula, que ele implicava. No outro era a pergunta um tanto fora que o aluno fazia. Ou então, era o olhar distante de alguém que o fazia caminhar até ele e falar-lhe quase aos gritos, nos seus ouvidos. Era assim. Ele não deixava ninguém quieto. Bastava uma pergunta mais provocativa sobre o assunto que ele, como se fosse uma fonte, jorrava conhecimento e sabedoria sem limites. 
Suas aulas eram demais. Transitava da Cosmologia à Psicologia; da Matemática à Geografia. História, então, nem se fala. Agora, seu chão mesmo era a Filosofia. Não havia quem não ficasse boquiaberto com tanto conhecimento, em se tratando desta ciência. Chegava na sala de aula apenas com sua bolsa a tiracolo, com os seus inseparáveis companheiros, os livros. Não tinha esquemas escritos, não usava slides ou power point para apresentar seus conteúdos. Bastava-lhe, e isso ele exigia, o giz e o quadro. E estava montado o seu palco. Transformava-se! Borbulhava daquele homem o que de mais rico alguém pode ter, o seu conhecimento e sua cultura...
Não admitia a mediocridade intelectual. Era exigente consigo e com os alunos. Sempre tinha uma bibliografia extensa para indicar. Com naturalidade discorria sobre suas últimas leituras, ou sobre suas reflexões em andamento. 
Nos intervalos? Ai, de quem o perturbasse! Perguntas, dizia ele, devem ser feitas durante a aula, não no intervalo, misturando indignação com aspereza. Sentava num canto, longe de todos, preferencialmente ao ar livre, por vezes no chão mesmo, e ali, silencioso, pensativo e distante, perdia-se entre a fumaça de seu cigarro, companheiro inseparável até certa altura de sua vida. 
Brincava, tirava sarro, fazia gozações e adorava propor enigmas a serem decifrados ao longo das muitas viagens que juntos empreendemos por ocasião dos nossos cursos. 
Contava piadas, uma atrás da outra. Era um homem divertido quando o ambiente lhe era amigo. 
Perdia fácil “as estribeiras”. E isso o fazia sofrer. Por causa destes rompantes de instabilidade emocional, teve várias dificuldades nos locais onde trabalhou. Se indispunha facilmente, e sem muita necessidade. 
Mas era um homem bom. Fez o bem. Ensinou muito. É verdade que por vezes era difícil seguir seu raciocínio e sua linha de pensamento, pois ele sabia demais. Deixou marcas na vida de muitos alunos de filosofia. 
Este foi o Professor Cleverson Bastos. Amigo, professor, companheiro, modelo a ser seguido no campo acadêmico. 
Perdemos um luminar do conhecimento. Deus o tenha e nos mande alguém para substituí-lo, pois fará falta. Muita falta para os estudantes, especialmente de filosofia. 
Cleverson, nós do IATES, lhe agradecemos por tudo que nos ensinou. Siga o seu caminho, agora na eternidade. E de lá continue nos mostrando a importância de sermos sempre mais mulheres e homens cultos para a construção da sociedade. 
Vá em paz! Descanse, pois você trabalhou muito! 
O professor Cleverson Bastos faleceu nesta última quarta-feira, dia 10 de junho de 2020.